Atualizado em outubro de 2026.
O modelo de Lasswell é uma forma de analisar qualquer ato de comunicação a partir de cinco perguntas: quem diz o quê, em que canal, para quem e com que efeito. Foi proposto pelo cientista político americano Harold Lasswell em 1948 e também é chamado de fórmula, esquema ou paradigma de Lasswell.
É um dos primeiros modelos das teorias da comunicação e continua sendo cobrado em provas por um motivo simples: ele organiza o estudo da comunicação em partes. Cada pergunta deu origem a uma área de pesquisa.
Neste texto, explico as cinco perguntas com exemplos, as funções da comunicação segundo Lasswell, as críticas ao modelo e como usá-lo hoje.
- As 5 perguntas do modelo de Lasswell
- Exemplos: como aplicar o modelo
- Quem foi Harold Lasswell
- As três funções da comunicação, segundo Lasswell
- Modelo de Lasswell e teoria hipodérmica: qual é a diferença?
- Críticas ao modelo de Lasswell
- O modelo de Lasswell ainda serve hoje?
- Perguntas frequentes
- Para continuar estudando
As 5 perguntas do modelo de Lasswell
| Pergunta | Elemento | O que se estuda | Área de pesquisa |
|---|---|---|---|
| Quem? | Emissor | Quem produz a mensagem e que interesses tem | Análise de controle |
| Diz o quê? | Mensagem | O conteúdo transmitido | Análise de conteúdo |
| Em que canal? | Meio | Por onde a mensagem circula | Análise dos meios |
| Para quem? | Receptor | Quem é o público | Análise de audiência |
| Com que efeito? | Efeito | O que muda depois da mensagem | Análise dos efeitos |

A frase original está no artigo “A estrutura e a função da comunicação na sociedade”, de 1948. Lasswell abre o texto dizendo que uma maneira conveniente de descrever um ato de comunicação é responder a essas perguntas.
Repare que o modelo não descreve como a comunicação acontece. Ele é um roteiro de investigação: diz ao pesquisador para onde olhar.
Exemplos: como aplicar o modelo
Uma campanha de vacinação
- Quem? O Ministério da Saúde.
- Diz o quê? “Leve as crianças para vacinar até sábado.”
- Em que canal? Rádio, televisão, cartazes nos postos de saúde, redes sociais.
- Para quem? Pais e responsáveis por crianças pequenas.
- Com que efeito? Aumento (ou não) do número de crianças vacinadas.
A publicação de um influenciador
- Quem? O influenciador, mas também a marca que pagou pelo anúncio.
- Diz o quê? “Uso este produto todos os dias e recomendo.”
- Em que canal? Uma rede social, cujo algoritmo decide a quem mostrar.
- Para quem? Os seguidores e as pessoas com perfil parecido.
- Com que efeito? Vendas, novos seguidores, confiança (ou desconfiança) na marca.
O segundo exemplo mostra por que o modelo ainda é útil. A pergunta “quem?” obriga a olhar para além do rosto que aparece na tela, e a pergunta “em que canal?” lembra que a plataforma também interfere.
Quem foi Harold Lasswell
Harold Dwight Lasswell (1902 a 1978) foi um cientista político americano, formado na Universidade de Chicago e depois professor em Yale. Seu principal interesse era a propaganda política.
Em 1927, publicou Propaganda Technique in the World War, um estudo sobre como os governos usaram a comunicação para mobilizar a população durante a Primeira Guerra Mundial. Foi um dos pioneiros da análise de conteúdo, o método de examinar mensagens de forma sistemática para identificar padrões.
Por causa desses estudos, o nome dele costuma aparecer ligado à teoria hipodérmica. Mas ele não criou essa teoria, e o modelo de 1948 já vai além dela, como você verá adiante.
As três funções da comunicação, segundo Lasswell
No mesmo artigo, Lasswell afirma que a comunicação cumpre três funções na sociedade:
- Vigilância do ambiente. Informar sobre o que acontece: riscos, oportunidades, mudanças. É o papel do noticiário.
- Correlação das partes da sociedade. Interpretar os fatos e ajudar os diferentes grupos a responder a eles. É o papel dos editoriais, das análises, do debate público.
- Transmissão da herança social. Passar valores, conhecimentos e costumes de uma geração para outra. É o papel da educação e da cultura.
Mais tarde, o sociólogo Charles Wright acrescentou uma quarta função: o entretenimento.
Essa preocupação com o papel da comunicação para o funcionamento da sociedade liga Lasswell à corrente funcionalista. Tenho um vídeo sobre a comunicação funcionalista para quem quiser continuar.
Modelo de Lasswell e teoria hipodérmica: qual é a diferença?
| Teoria hipodérmica | Modelo de Lasswell | |
|---|---|---|
| Período | Anos 1920 e 1930 | 1948 |
| O que é | Uma visão geral sobre o poder da mídia | Um roteiro de análise |
| Efeito da mídia | Direto, igual para todos, dado como certo | Algo a ser investigado |
| Público | Massa passiva | Um elemento a ser estudado, mas ainda visto como alvo |
| Limite | Ignora diferenças entre as pessoas | É linear e não inclui a resposta do público |
O avanço de Lasswell foi transformar uma certeza (“a mídia manipula”) em pergunta (“com que efeito?”). O limite é que ele ainda imagina a comunicação como algo que sai de um ponto e chega a outro, com a iniciativa toda do lado do emissor.
Críticas ao modelo de Lasswell
- É linear. A comunicação aparece como um caminho de mão única, do emissor ao receptor.
- Não tem feedback. A resposta do público não entra no esquema.
- Ignora o contexto. A mesma mensagem tem sentidos diferentes conforme a situação, a cultura e o momento.
- Trata o receptor como alvo. A pergunta é o que a mensagem faz com as pessoas, e não o que as pessoas fazem com a mensagem.
- Pressupõe intenção. Parte da ideia de que o emissor sempre quer provocar um efeito, o que serve bem à propaganda e mal a uma conversa entre amigos.
- Não menciona o ruído, que aparece no modelo de Shannon e Weaver, do mesmo período.
Em 1958, o pesquisador Richard Braddock propôs acrescentar duas perguntas à fórmula: em que circunstâncias? e com que propósito?. Com isso, o contexto e a intenção passaram a fazer parte da análise.
O modelo de Lasswell ainda serve hoje?
Serve, desde que seja usado como lista de perguntas, e não como retrato de como a comunicação funciona.
Na minha experiência, ele é uma das ferramentas mais práticas para planejar e para desconfiar.
Para planejar. Antes de escrever um comunicado, um roteiro ou uma campanha, responda às cinco perguntas ao contrário: que efeito eu quero, em quem, por qual canal, com que mensagem, e quem é a melhor pessoa para dizer isso?
Para desconfiar. Diante de uma mensagem que chegou pelo celular, pergunte: quem está dizendo isso? Quem ganha se eu acreditar? Por que chegou até mim por este canal? Boa parte da desinformação não resiste à primeira pergunta.
O que mudou desde 1948 é que cada pergunta ficou mais difícil de responder. O “quem” pode ser anônimo ou automatizado. O “canal” seleciona o que mostra. O “para quem” é definido por algoritmos. E o “efeito” depende de como cada pessoa interpreta e repassa a mensagem. As perguntas continuam boas; as respostas é que deixaram de ser óbvias.
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Perguntas frequentes
O que é o modelo de Lasswell?
É um esquema de análise da comunicação baseado em cinco perguntas: quem diz o quê, em que canal, para quem e com que efeito.
Quem criou o modelo de Lasswell e quando?
O cientista político americano Harold Lasswell, em um artigo publicado em 1948.
Quais são as características do modelo de Lasswell?
É linear, descritivo, centrado no emissor e nos efeitos, e divide o processo de comunicação em cinco elementos, cada um correspondente a uma área de estudo.
Qual é a principal crítica ao modelo?
A linearidade: ele não considera o feedback, o contexto nem a participação ativa do receptor.
Modelo, fórmula e paradigma de Lasswell são a mesma coisa?
Sim. São nomes diferentes para o mesmo esquema das cinco perguntas.
Lasswell criou a teoria hipodérmica?
Não. Ele estudou a propaganda no período em que essa visão era dominante, mas a teoria hipodérmica não tem um autor, e o modelo de 1948 já representa um passo adiante.
Para continuar estudando
- Teorias da comunicação: uma introdução
- Teoria hipodérmica
- Comunicação de massa
- Elementos da comunicação
- Vídeo: teoria dos efeitos limitados
Se ficou alguma dúvida, escreva nos comentários.
