Atualizado em outubro de 2026.
Comunicação é o processo pelo qual pessoas compartilham significados, tornando comum entre elas uma informação, uma ideia ou um sentimento. Acontece por meio de palavras, gestos, imagens, sons e qualquer outro sinal que os envolvidos consigam interpretar.
A origem da palavra já explica quase tudo. “Comunicar” vem do latim communicare, que significa “tornar comum”, “partilhar”. É a mesma raiz de “comum”, “comunidade” e “comunhão”. Comunicar não é apenas enviar algo a alguém: é fazer com que esse algo passe a ser dos dois.
Neste texto, você encontra o conceito, definições de autores, a diferença entre comunicação e informação, como e quando ela surgiu, os tipos e as formas.
O que você vai ler neste artigo
- Conceito de comunicação
- Definições de comunicação segundo autores
- Comunicação, informação e sinalização não são a mesma coisa
- Como surgiu a comunicação
- Quando a comunicação virou objeto de estudo
- Tipos de comunicação
- Formas de comunicação
- Por que nos comunicamos
- Perguntas frequentes
- Livros citados neste texto
Conceito de comunicação
Na teoria, a comunicação é descrita como a troca de mensagens entre um emissor e um receptor, por meio de um canal, com um código comum, dentro de um contexto. Esses são os elementos da comunicação.
Na prática, a palavra nomeia a nossa capacidade de interagir, de nos expressar e de construir sentido junto com outras pessoas. Este texto é um ato de comunicação: eu, Eliane, escrevo; você lê e interpreta. Eu poderia dizer o mesmo em uma aula, em um podcast, em um desenho ou em um vídeo.
O autor paraguaio Juan Díaz Bordenave lembra que a comunicação vai muito além dos meios de comunicação. Eles ocupam tanto a nossa rotina que esquecemos que são a menor parte desse universo.
A comunicação serve para que as pessoas se relacionem entre si, transformando-se mutuamente e a realidade que as rodeia.
BORDENAVE, Juan E. Díaz. O que é Comunicação (p. 36).

Definições de comunicação segundo autores
| Fonte | Definição | O que ela destaca |
|---|---|---|
| Dicionário Michaelis | “Ato que envolve a transmissão e a recepção de mensagens entre o transmissor e o receptor, através da linguagem oral, escrita ou gestual, por meio de sistemas convencionados de signos e símbolos.” | O processo e os códigos |
| Juan Díaz Bordenave | A comunicação serve para que as pessoas se relacionem entre si, transformando-se mutuamente e a realidade que as rodeia. | A relação e a transformação |
| Manuel Castells | “Comunicação é o compartilhamento de significado por meio da troca de informação.” | O significado compartilhado |
| Ciro Marcondes Filho | “Comunicação não se confunde com sinalização nem com informação.” | A diferença entre emitir sinais e comunicar de fato |
A definição de Castells está em O poder da comunicação (p. 101). Ele acrescenta que o processo é definido pela tecnologia usada, pelas características de emissores e receptores, pelos códigos culturais de referência e pela abrangência do processo.
Repare que as definições não se contradizem. Cada uma ilumina um lado: a do dicionário descreve o mecanismo; as dos autores perguntam para que ele serve e o que precisa acontecer para que funcione.
Comunicação, informação e sinalização não são a mesma coisa
Esta é a distinção que eu considero mais importante, e que os resumos costumam ignorar.
Comunicação não se confunde com sinalização nem com informação. Na natureza e na sociedade, nas relações subjetivas, tudo sinaliza. Animais, seres humanos, acontecimentos, sensações, emanações difusas do outro. Qualquer coisa ao nosso redor produz sinais que podem ou não ser convertidos em componentes do processo comunicacional. Todos somos, em princípio, emissores. O tempo todo estamos emitindo sinais.
FILHO, Ciro Marcondes. Dicionário da comunicação (p. 173).
| Conceito | O que é | Exemplo |
|---|---|---|
| Sinalização | Emitir sinais, com ou sem intenção | Você boceja numa reunião |
| Informação | Um dado novo, que reduz uma dúvida | “A reunião foi adiada para as 15h” |
| Comunicação | Quando o outro percebe, interpreta e algo passa a ser comum aos dois | Seu colega entende o aviso, confirma e os dois ajustam a agenda |
Você já deve ter ouvido que “é impossível não comunicar”. A frase vem do psicólogo Paul Watzlawick e de seus colegas, que escreveram em 1967 que todo comportamento, em uma interação, tem valor de mensagem. Marcondes Filho propõe um ajuste: é impossível não sinalizar. Comunicar exige mais: exige que o outro receba e que algo mude entre os dois.
Na vida real, a diferença é enorme. Um aviso preso no mural informa. Só houve comunicação se as pessoas leram, entenderam e passaram a agir de acordo. É por isso que “eu avisei” e “nós nos comunicamos” são frases tão diferentes.
Transmitir ou partilhar: duas maneiras de ver a comunicação
O pesquisador americano James Carey mostrou que existem duas grandes maneiras de pensar a comunicação:
- Como transmissão. Comunicar é enviar mensagens de um ponto a outro, com o objetivo de informar ou influenciar. É a visão dos modelos clássicos, com emissor, canal e receptor.
- Como ritual, ou partilha. Comunicar é participar de algo comum, manter uma comunidade unida no tempo. Uma conversa de fim de tarde entre vizinhos transmite pouca informação nova, mas mantém os laços.
As duas são verdadeiras. A primeira explica um telejornal; a segunda explica por que você liga para a sua mãe mesmo sem novidade para contar. E repare: a segunda está mais perto do sentido original da palavra.
Como surgiu a comunicação
A comunicação é mais antiga que a fala. Antes de terem uma língua, nossos ancestrais já se entendiam por gestos, gritos, expressões e toques, como fazem outros primatas.
A linguagem falada, tal como a conhecemos, é uma capacidade da nossa espécie, o Homo sapiens, e se desenvolveu ao longo de dezenas de milhares de anos. Não deixou fósseis, por isso ninguém sabe dizer exatamente quando começou.
Os primeiros registros visuais que chegaram até nós são as pinturas rupestres, feitas há dezenas de milhares de anos nas paredes de cavernas. A escrita surgiu muito depois, há cerca de 5 mil anos, na Mesopotâmia e no Egito. A partir dela, o conhecimento pôde ser guardado fora da memória das pessoas.
Depois vieram a imprensa, no século XV, o telégrafo, o telefone, o rádio, o cinema, a televisão e a internet. Cada novo meio ampliou o alcance das mensagens e mudou a forma de viver em sociedade.
Para ver essa história com calma, leia a história da comunicação humana e a história dos meios de comunicação. No canal, tenho também um vídeo sobre a origem do conceito de comunicação.
Quando a comunicação virou objeto de estudo
A reflexão sobre a comunicação é antiga. Na Grécia, Aristóteles escreveu a Retórica, sobre a arte de persuadir pelo discurso. No século XVII, o filósofo inglês Thomas Hobbes descreveu, no Leviatã, para que serve a fala:
Usos especiais da fala são estes: primeiro, registrar o que por cogitação descobrimos ser a causa de qualquer coisa, presente ou passada; e o que as coisas presentes ou passadas podem produzir ou efetuar: o que, em suma, é aquisição de artes. Em segundo lugar, mostrar aos outros o conhecimento que alcançamos; que é aconselhar e ensinar uns aos outros. Em terceiro lugar, dar a conhecer aos outros nossas vontades e propósitos para que possamos ter a ajuda mútua uns dos outros. Em quarto lugar, agradar e deleitar a nós mesmos e aos outros, brincando com nossas palavras, por prazer ou ornamento, inocentemente.
HOBBES, Thomas. Leviatã (1651).
Como área de pesquisa com nome próprio, porém, a Comunicação é recente. Ela se formou no século XX, quando o rádio, o cinema e a propaganda de guerra levaram cientistas políticos, sociólogos e psicólogos a estudar os efeitos da mídia. Nomes como Harold Lasswell, Paul Lazarsfeld e Theodor Adorno vieram de outras disciplinas. Nos anos 1940, Wilbur Schramm criou, nos Estados Unidos, os primeiros institutos e programas de pós-graduação dedicados ao tema.
Até hoje se discute se a Comunicação é uma ciência autônoma ou um campo em que várias ciências se encontram. Eu fico com a segunda opção, e vejo nisso uma qualidade: é difícil entender como as pessoas se entendem olhando por uma única janela.
Para continuar, veja as teorias da comunicação.
Tipos de comunicação
Os tipos são classificados pelo código utilizado:
| Tipo | Como acontece | Exemplo |
|---|---|---|
| Verbal | Com palavras, faladas ou escritas | Conversa, carta, e-mail |
| Não verbal | Sem palavras: gestos, expressões, postura, olhar | Um aceno, um abraço |
| Visual | Com imagens, cores, formas e símbolos | Placa, logotipo, fotografia |
| Sonora | Com sons que não são palavras | Sirene, trilha de filme, toque do celular |
| Mista | Com vários códigos ao mesmo tempo | Vídeo, anúncio, publicação em rede social |
No canal, apresento 15 tipos de comunicação em 12 minutos.
Formas de comunicação
As formas são classificadas por quem participa:
| Forma | Quem participa | Exemplo |
|---|---|---|
| Intrapessoal | Você com você mesmo | Refletir antes de tomar uma decisão |
| Interpessoal | Duas pessoas ou um pequeno grupo | Conversa entre amigos, reunião |
| Organizacional | Uma organização e seus públicos | Comunicação interna, assessoria de imprensa |
| De massa | Uma fonte e um público grande e anônimo | Jornal, rádio, televisão |
A área de Comunicação Social reúne as profissões que trabalham com essas formas: jornalismo, publicidade, relações públicas, rádio e televisão, entre outras. Veja as áreas de atuação em Comunicação Social.
Por que nos comunicamos
Porque precisamos uns dos outros. A comunicação é o que permite combinar tarefas, ensinar, pedir ajuda, resolver conflitos, criar laços, expressar o que sentimos e passar adiante o que aprendemos. Sem ela não haveria cultura, arte, ciência nem vida em sociedade.
Ela não é um dom reservado a alguns. É uma habilidade, e como toda habilidade melhora com estudo e prática.
Vale guardar uma última ideia: nem todo ato de comunicação dá certo. Barreiras de língua, diferenças culturais, pressa, preconceito e distração atrapalham o caminho da mensagem. São os ruídos de comunicação. Comunicar bem é, em grande parte, aprender a perceber e a reduzir esses ruídos, começando pela escuta.
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Perguntas frequentes
O que é comunicação, em poucas palavras?
É o processo de compartilhar significados entre pessoas, por meio de palavras, gestos, imagens ou outros sinais.
Qual é a origem da palavra comunicação?
Vem do latim communicare, que significa “tornar comum”, “partilhar”.
Qual é a diferença entre comunicação e informação?
Informação é o dado transmitido. Comunicação é o processo completo: alguém envia, o outro recebe, interpreta e algo passa a ser comum aos dois.
Quais são os tipos de comunicação?
Verbal, não verbal, visual, sonora e mista. Pelas pessoas envolvidas, ela pode ser intrapessoal, interpessoal, organizacional ou de massa.
Quando surgiu a comunicação?
Ela existe desde antes da fala: nossos ancestrais já se comunicavam por gestos e sons. A escrita surgiu há cerca de 5 mil anos, e o estudo científico da comunicação se organizou no século XX.
Tudo comunica?
Tudo sinaliza. Para haver comunicação, é preciso que alguém perceba o sinal, interprete e que um sentido seja compartilhado.
Livros citados neste texto
Um final de campeonato no Maracanã. O primeiro dia de sessão no Congresso Nacional. Uma feira livre de bairro. A hora da novela numa família qualquer. Esses são alguns dos cenários imaginados pelo autor para descortinar o amplo e dinâmico mundo da Comunicação. Um mundo de signos e símbolos, da denotação e da conotação, dos códigos analógicos e digitais. É o mundo das novas tecnologias que aceleram e multiplicam as mensagens, transformando o planeta na “aldeia global”.

Se ficou alguma dúvida, escreva nos comentários.


Ajudou muito sua aula, obrigada
Fico feliz que tenha ajudado, Maria!
Muito obrigada por comentar!