Atualizado em outubro de 2026.
Os elementos da comunicação são sete: emissor, receptor, mensagem, código, canal, referente e feedback. Juntos, eles descrevem o que precisa existir para que uma pessoa consiga dizer algo a outra e ser entendida.
Essa é a resposta curta, a que cai em prova. Mas eu sou jornalista, estudo e ensino Comunicação há anos, e posso garantir que decorar a lista é a parte menos útil. O que ajuda de verdade é saber usar o esquema para descobrir onde uma conversa falhou, e entender por que cada livro apresenta uma lista um pouco diferente (cinco, seis, sete elementos). É isso que você vai encontrar aqui.

Resumo: os 7 elementos da comunicação
| Elemento | Pergunta que ele responde | Exemplo: você manda um áudio para um amigo |
|---|---|---|
| Emissor | Quem diz? | Você |
| Receptor | Para quem? | Seu amigo |
| Mensagem | O que é dito? | “Vou me atrasar meia hora” |
| Código | Com que sistema de sinais? | Língua portuguesa falada |
| Canal | Por onde passa? | Aplicativo de mensagens, internet, alto-falante do celular |
| Referente | Sobre o quê? Em que contexto? | O encontro que vocês marcaram |
| Feedback | Qual foi a resposta? | “Tudo bem, te espero” |
Se preferir assistir antes de ler, gravei uma aula sobre o assunto no canal Aqui Tem Comunicação:
Cada elemento, com definição e exemplo

1. Emissor
O emissor é quem produz e envia a mensagem. Pode ser uma pessoa, um grupo ou uma instituição: quem fala, escreve, canta, fotografa, publica. É o emissor que escolhe o que dizer e como dizer, ou seja, é ele quem transforma uma ideia em palavras, imagens ou gestos.
Todos somos, em princípio, emissores. O tempo todo estamos emitindo sinais. Os pesquisadores da Faculdade Invisível, em torno de Gregory Bateson, chamam a isso de comunicar, “tudo comunica, não dá para não comunicar”, quando mais apropriado seria dizer que tudo sinaliza, não dá para não sinalizar. Comportar-se é sinalizar, ele não tem negativo: não dá para não sinalizar.
FILHO, Ciro Marcondes. Dicionário da comunicação (p. 126). Paulus Editora.
Um detalhe que costuma passar batido: nem sempre é fácil dizer quem é o emissor. Num anúncio, é a marca, a agência que criou a peça ou o ator que aparece na tela? Vale a pena fazer essa pergunta sempre que analisar uma mensagem.
Para ir mais fundo, leia o que é emissor na comunicação ou assista ao vídeo sobre o emissor.
2. Receptor
O receptor é quem recebe a mensagem e a interpreta: quem ouve, lê, assiste, observa. A palavra engana um pouco, porque dá a entender que ele só “recebe”. Na prática, o receptor trabalha tanto quanto o emissor: é ele quem dá sentido ao que chegou, a partir do que já sabe, do que sente e do lugar de onde vê o mundo.
Para ir mais fundo, leia o que é receptor na comunicação ou assista ao vídeo sobre o receptor.
3. Mensagem
A mensagem é o conteúdo da comunicação: aquilo que o emissor quer transmitir. Pode ser uma frase, uma carta, uma palestra, uma música, uma foto, um vídeo.
Aquilo que é dito ou transmitido a algo ou alguém. Situada entre dois polos, o do emissor (E) e o do receptor (R), a mensagem pode ser entendida, na teoria da informação, como um aglomerado de sinais passíveis de serem transmitidos por um canal.
FILHO, Ciro Marcondes. Dicionário da comunicação (p. 464). Paulus Editora.
Guarde uma distinção: a mensagem que o emissor quis enviar e a mensagem que o receptor entendeu raramente são idênticas. Boa parte dos desentendimentos mora nesse intervalo.
Para ir mais fundo, leia o que é mensagem na comunicação ou assista ao vídeo sobre a mensagem.
4. Código
O código é o sistema de sinais usado para construir a mensagem, com regras que emissor e receptor precisam conhecer. A língua portuguesa é um código. Também são códigos a Libras e as demais línguas de sinais, o braile, a notação musical, os sinais de trânsito, os emojis.
Quando os dois lados não dominam o mesmo código, a mensagem chega mas não é compreendida. É o que acontece quando você recebe um texto num idioma que não fala, ou quando um médico explica um diagnóstico só com termos técnicos.
Assista também ao vídeo sobre o código.
5. Canal
O canal é o meio por onde a mensagem viaja do emissor até o receptor. Numa conversa presencial, é o ar que carrega o som da voz. À distância, pode ser o papel, o telefone, o rádio, a televisão, um aplicativo de mensagens, uma rede social.
Canal e código vivem sendo confundidos, então fique com esta regra: o canal é por onde passa, o código é em que sistema está escrito. A mesma frase em português (código) pode ir por carta, por telefone ou por vídeo (canais).

Para ir mais fundo, leia sobre os meios de comunicação ou assista ao vídeo sobre o canal.
6. Referente
O referente é o assunto da mensagem e o contexto que os dois lados compartilham. É ele que permite entender do que se está falando.
Um exemplo simples: a palavra “canal” significa uma coisa neste texto, outra numa conversa com o dentista e outra ainda quando alguém fala de televisão. O código é o mesmo, a palavra é a mesma, mas o referente muda tudo. Muitas discussões acontecem porque duas pessoas usam as mesmas palavras pensando em referentes diferentes.
Assista também ao vídeo sobre o referente.
7. Feedback
O feedback é a resposta do receptor, que volta para o emissor e mostra se a mensagem chegou e como foi entendida. Não precisa ser uma fala: um aceno de cabeça, uma risada, um “visto” sem resposta e até o silêncio funcionam como feedback.
Muitos materiais deixam o feedback de fora da lista. Eu faço questão de incluir, porque é ele que transforma um aviso em uma conversa. Sem resposta, o emissor fica sem saber se foi compreendido.
Assista também ao vídeo sobre o feedback.
E o ruído?
O ruído é tudo o que atrapalha a mensagem no caminho: barulho, sinal fraco, letra ilegível, uma palavra de duplo sentido, cansaço, preconceito contra quem fala. Ele costuma aparecer junto dos elementos, mas não faz parte da comunicação. É o que a prejudica. Por isso alguns professores o colocam na lista e outros não.
Para ir mais fundo, leia sobre os ruídos de comunicação ou assista ao vídeo sobre o ruído.
São 5, 6 ou 7 elementos da comunicação? Por que cada livro traz uma lista
Se você já viu listas diferentes da minha, nenhuma delas está necessariamente errada. O esquema dos elementos não nasceu pronto. Ele é a soma de modelos criados por pessoas diferentes, com objetivos diferentes.
| Origem | O que propôs | O que ficou de fora |
|---|---|---|
| Claude Shannon e Warren Weaver (1949), engenharia de telecomunicações | Fonte, transmissor, canal, receptor, destino e fonte de ruído | Feedback e significado: a preocupação era o sinal chegar inteiro, não ser compreendido |
| Norbert Wiener (1948), cibernética | A ideia de feedback, ou retroalimentação | Não é um modelo de comunicação humana completo |
| Roman Jakobson (1960), linguística | Remetente, destinatário, mensagem, contexto (referente), código e contato (canal) | Feedback e ruído |
Repare no que isso significa:
- A lista de seis elementos dos livros de Língua Portuguesa é a de Jakobson. É a mais cobrada na escola, porque cada elemento corresponde a uma função da linguagem.
- A lista de sete soma o feedback, que veio da cibernética. É a que eu uso.
- A lista de cinco costuma juntar ou cortar algum item (em geral o referente).
- Quem fala em três elementos fundamentais está pensando no mínimo necessário: emissor, mensagem e receptor.
- Quem fala em oito incluiu o ruído.
Em prova, a dica prática é esta: confira quantos elementos o seu professor ou o edital considera e responda com essa lista. Agora você sabe de onde vem cada versão.
Se quiser conhecer melhor esses modelos, tenho textos sobre as teorias da comunicação e sobre o modelo de Lasswell, além de um vídeo sobre a teoria matemática da informação, de Shannon e Weaver.
O que o esquema não mostra
Aqui vai a minha leitura crítica, que é a parte que eu mais gosto de ensinar. O esquema dos elementos é ótimo para começar, mas tem três limites que você precisa conhecer.
1. Ele desenha uma linha reta, e a comunicação é uma via de mão dupla. O modelo original foi pensado para telefones e telégrafos: um sinal sai de um ponto e chega a outro. Numa conversa de verdade, as duas pessoas são emissoras e receptoras ao mesmo tempo. Enquanto você fala, o outro já responde com o rosto.
2. Ele trata o receptor como passivo. O sociólogo Stuart Hall mostrou, nos anos 1970, que o público não absorve a mensagem tal como foi enviada. Cada pessoa pode aceitar, adaptar ou rejeitar o sentido proposto. A mesma reportagem é lida de maneiras opostas por pessoas com experiências de vida diferentes.
3. Ele trata o canal como um tubo neutro, e hoje o canal decide. Quando você publica um vídeo numa rede social, quem escolhe para quem ele será mostrado é um algoritmo. O canal deixou de apenas transportar a mensagem: ele seleciona, ordena e esconde. O mesmo vale para as respostas geradas por inteligência artificial, que resumem textos de vários emissores e entregam ao receptor sem dizer com clareza quem falou. Perguntar “quem é o emissor?” e “o que o canal fez com a mensagem?” virou uma habilidade básica de leitura.
Nada disso invalida o esquema. Só muda o jeito de usar: como uma lista de perguntas para investigar uma situação, e não como uma fotografia fiel de como as pessoas se entendem.
Exemplos de elementos da comunicação: três situações analisadas
Uma aula presencial
- Emissor: a professora. Receptor: a turma.
- Mensagem: a explicação do conteúdo.
- Código: língua portuguesa falada, mais os desenhos no quadro.
- Canal: o ar (voz) e o quadro (imagem).
- Referente: a matéria do dia.
- Feedback: perguntas, olhares de dúvida, bocejos.
Uma campanha de vacinação no rádio
- Emissor: o Ministério da Saúde. Receptor: os ouvintes da emissora.
- Mensagem: “leve as crianças para vacinar até sábado”.
- Código: língua portuguesa falada, música de fundo.
- Canal: o rádio.
- Referente: a campanha e o calendário de vacinação.
- Feedback: não é imediato. Aparece depois, no número de pessoas que foram ao posto de saúde.
Uma mensagem de texto mal interpretada
Você escreve “ok.” para alguém que acabou de fazer um convite. A pessoa lê e acha que você ficou chateado.
- Emissor, receptor, canal e referente estão claros.
- O problema está no código: a escrita não carrega o tom de voz, e o ponto final foi lido como frieza.
- O feedback (um “aconteceu alguma coisa?”) é o que permite corrigir o mal-entendido.
Esse terceiro exemplo mostra para que o esquema serve no dia a dia: localizar em qual elemento a comunicação falhou.
Exercício resolvido
Leia a situação e identifique os sete elementos antes de conferir a resposta.
Num sábado, o síndico de um prédio cola no elevador um cartaz: “Faltará água na segunda-feira, das 8h às 12h, para limpeza da caixa”. Na segunda, uma moradora liga para a portaria reclamando que não foi avisada: ela só usa as escadas.
Resposta:
- Emissor: o síndico.
- Receptor: os moradores.
- Mensagem: o aviso da falta de água.
- Código: língua portuguesa escrita.
- Canal: o cartaz no elevador.
- Referente: a limpeza da caixa de água do prédio.
- Feedback: a ligação da moradora.
Onde falhou? No canal. A mensagem estava clara e o código era conhecido, mas o cartaz no elevador não alcança quem usa as escadas. Bastaria usar um segundo canal, como o grupo de mensagens do prédio.
Para treinar, faça o mesmo com uma reportagem de televisão, uma música que toca no rádio ou a última conversa em que você sentiu que não foi entendido.
Perguntas frequentes
Quais são os três elementos fundamentais da comunicação?
Emissor, mensagem e receptor. Sem um deles não existe comunicação. Os demais (código, canal, referente e feedback) detalham como a mensagem é construída, transportada, situada e respondida.
Quais são os 5 elementos da comunicação?
Uma versão frequente com cinco elementos traz emissor, receptor, mensagem, código e canal. Ela deixa de fora o referente e o feedback.
Qual é a diferença entre canal e código?
O canal é o meio por onde a mensagem passa (ar, papel, telefone, internet). O código é o sistema de sinais em que ela é construída (uma língua, o braile, os sinais de trânsito).
Referente e contexto são a mesma coisa?
No esquema de Jakobson, sim: ele usa a palavra “contexto” para o que os livros em português chamam de referente. Em ambos os casos, é aquilo de que a mensagem fala.
O ruído é um elemento da comunicação?
Depende do autor. O ruído faz parte do modelo de Shannon e Weaver, mas muitos professores preferem tratá-lo como um obstáculo, não como um elemento.
Qual é a relação entre os elementos e as funções da linguagem?
Para Jakobson, cada elemento corresponde a uma função: emissor (emotiva), receptor (conativa), mensagem (poética), referente (referencial), código (metalinguística) e canal (fática).
Para se aprofundar
Três livros que eu uso e recomendo para quem está começando a estudar o tema:
Um livro pequeno (apenas 100 páginas) e de leitura agradável e fácil para entender os detalhes mais básicos da comunicação humana. Leia e entenda como é impossível não comunicar!
Esta obra dá conta de todo o espectro da comunicação, que vai desde a forma interpessoal, grupal, passando pela presencial no ensino, até a chamada “comunicação social”, que abrange as formas erradicadas (televisão, rádio, publicidade), assim como os processos eletrônicos. Parte-se do princípio de que o conceito de comunicação pode e deve ser válido para todas as instâncias da comunicabilidade humana e como tal deva ser estudado em escolas, faculdades e na pesquisa acadêmica.
No canal, a série Guia básico dos Elementos da Comunicação tem um vídeo para cada elemento, e a aula sobre o processo de comunicação mostra todos eles funcionando juntos.
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Gostei muito muito dos conteúdos
Fico feliz em saber que gostou e obrigada por comentar! 🙂